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Segunda-feira, Maio 29, 2006

A Onipotência Divina.

Gn 17.1; Sl 115.3; Rm 11.36; Ef 1.11; Hb 1.3
Todo teólogo mais cedo ao mais tarde tem de responder a uma pergunta, a qual é colocada como um "quebra-cabeça que não pode ser montado". A antiga pergunta é: Deus pode criar uma pedra tão grande que ele mesmo não possa movê-la? À primeira vista, essa pergunta parece encurralar o teólogo com um dilema insolúvel. Se responder que sim, estará dizendo que existe algo que Deus não pode fazer: Ele não pode mover a pedra. Se responder que não, então estará declarando que Deus não pode criar tal pedra. De qualquer maneira que respondermos, seremos forçados a pôr limites no poder de Deus.
Esse problema nos faz lembrar de uma outra charada: O que acontece quando uma força irresistível se choca contra o objeto irremovível? Podemos conceber uma força irresistível. Podemos, igualmente, conceber um objeto irremovível. O que não podemos conceber é a coexistência dos dois. Se uma força irresistível encontra um objeto irremovível, e o objeto se move, o mesmo não poderia mais ser chamado com propriedade de irremovível. Se o objeto não se mover, então a força "irresistível" não poderia mais ser chamada, com propriedade, irresistível. Portanto, vemos que a realidade não pode conter ambos - uma força irresistível e um objeto irremovível.
Enquanto isso, voltemos à rocha que não pode ser removida. O dilema colocado aqui (como no caso da força irresistível) é um falso dilema. É falso porque é construído sobre uma premissa falsa. Supõe que "Onipotência" significa que Deus pode fazer qualquer coisa. A Bíblia indica várias coisas que Deus não pode fazer: Ele não pode mentir (Hb 6.18). Não pode morrer. Não pode ser eterno e criado. Não pode agir contra sua própria natureza. Não pode ser Deus e não ser Deus ao mesmo tempo e na mesma relação...
O que onipotência realmente significa é que Deus mantém poder absoluto sobre sua criação. Nenhuma parte da criação está fora do alcance e da abrangência do seu controle soberano. Portanto, existe uma resposta correta para o dilema da pedra. O quebra-cabeça pode ser montado. O resposta é não. Por quê? Se Deus criasse tal pedra, ele estaria criando algo sobre o qual não teria poder. Estaria assim destruindo sua própria onipotência. Deus não pode deixar de ser Deus; ele não pode deixar de ser onipotente.
Quando a virgem Maria estava confusa pelo anúncio do anjo Gabriel a respeito da concepção de Jesus no ventre dela, o anjo lhe disse: "para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas" (Lc 1.37).
Dizer que nada é impossível para Deus significa que ele pode fazer qualquer coisa que quira fazer. Seu poder não é limitado por limitações finitas. Nada ou "coisa nenhuma" pode restringir seu poder. Mesmo assim, seu poder é ainda restringido pelo quê e quem ele é. O pecado é impossível para ele porque ninguém pode pecar sem querer pecar. Deus é santo, ele jamais deseja pecar. Jó chega ao âmago desse questão quando declara: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado" (Jó 42.2).
Para o cristão, a onipotência de Deus é uma grande fonte de conforto. Sabemos que o mesmo poder que Deus demonstrou ao criar o universo está a disposição dele para assegurar nossa salvação. Ele mostrou esse poder na saída do povo de Israel do Egito. Mostrou seu poder sobre a morte na ressurreição de Cristo... Sabemos que nenhuma parte da criação pode frustrar seus planos para o futuro. Não existe nem uma molécula independente, solta no universo, e que seja capaz de comprometer os planos de Deus. Embora os poderes e as forças deste mundo ameacem fazer isso, não tememos. Podemos descansar no conhecimento de que nada pode resistir ao poder de Deus. Ele é o Deus Todo-Poderoso.
*
R. C. Sproul

2 Comments:

Anonymous Louise said...

Realmente para o cristão a onipotência de Deus é fonte de conforto, é maravilhoso saber que Ele é o único que pode controlar tudo, e que nenhum homem pode frustrar a sua vontade. Conhecer o caráter de Deus é se sentir seguro e ao mesmo tempo tremer diante da sua santidade. Posso me deleitar na salvação, pois não depende de mim, dependo totalmente dele. Ele me amou de graça, eu O amo porque Seu Espírito me abriu os olhos e me fez ver o quanto Deus é amável e o quanto Cristo é tudo. Tenho desfrutado muito do conforto e consolo de Deus. Estou aprendendo a não me desesperar diante de situações difíceis, apenas confiar e fazer o que está a meu alcance. Tenho sentido o cuidado e o carinho de Deus tão de perto que tenho achado força e motivo suficiente para não me abalar. Não tenho dúvidas, Deus é tremendo.

3:32 PM  
Blogger Aruan said...

Bom artigo.
Mas a explicação não convencerá filosoficamente, mas apenas teologicamente. Há uma explicação filosófica procedente sobre o assunto, mas creio que a exposição foi mais voltada para a argumentação bíblica, e não para a demonstração filosófica - o que pode ter vantagens, mas também desvantagens.

12:42 AM  

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