Shekinah (Fundamentos da Fé Cristã 3)
Nós sabemos que fomos criados para a glória de Deus. O alvo de Deus é a Sua glória. Mas será que nós entendemos o que isso quer dizer? Será que não interpretamos mal muitas vezes isso? O fato de o alvo de Deus ser a sua glória não aponta para o "egoísmo" divino. Sem sombra de dúvida Deus deseja ser louvado pelo Seu merecimento. Ele é digno disso. Ser exaltado po sua grandeza e bondade. Ser apreciado pelo que Ele é.
Mas entenda, a glória que é seu alvo, é um relacionamento de dois lados. É uma conjunção de atos reveladores de sua parte, por meio dos quais Ele mostra sua glória a anjos e homens com extrema generosidade e bondade - com adoração responsiva da parte deles, por meio da qual lhe prestam glória de gratidão pelo que têm visto e recebido.
Essas duas coisas funcionando juntas - contemplar a glória de Deus e dar a Ele glória - é a verdadeira realização do homem - a realização e concretização do objetivo pelo qual fomos criados. Qual o resultado disso? Isso traz suprema alegria ao homem, e também a Deus (Sf 3.14-17).
"Glória" - No Velho Testamento encerra associações de peso, valor, riqueza, esplendor e dignidade - tudo isso e mais estão presentes quando se afirma que Deus revelou a sua glória.
Deus respondendo a Moisés - que pediu que lhe mostrasse Sua glória - lhe revelou Seu Nome - isto é, Sua natureza, caráter e poder (Êx 33.18 - 34.7) - Junto com a proclamação e revelação de quem Deus era houve uma manifestação física que inspirou medo e reverência - o Shekinah (Habitação de Deus), uma nuvem brilhante que era vista como um fogo consumidor. O Shekinah era ele mesmo chamado glória de Deus. Apareceu em momentos significativos da história bíblica como sinal da presença ativa de Deus (Êx 33.22; 34.5; 16.7,10; 24.15-17; 40.34,35; Lv9. 23,24; 1Rs 8.10,11; Ez 1.28; 8.4; 9.3; 10.4; 11.22,23; Mt17.5; Lc 2.9; At 1.9; 1Ts 4.17; ap 1.7).
O Novo Testamento proclama que a natureza, caráter, poder e propósito da glória de Deus é agora aberta a nossa visão na pessoa e papel do Filho encarnado de Deus, Jesus (Jo 1.14-18; 2Co 4.3-6; Hb 1.1-3).
A glória de Deus expressa no plano da graça que resgata pecadores indignos, deve gerar o louvor(Ef 1.6,12,14), ou seja, a expressão de glória a Deus por palavras faladas( Ap 4.9; 19.7). E também todas as atividades da vida devem ser exercidas com o objetivo de prestar a Deus homenagem, honra e prazer, o que significa conceder a Ele a glória em um nível prático (1Co 10.31).
Deus não dividiria com ídolos o louvor pela restauração do seu povo, pela simples razão de que, sendo irreais, os ídolas em nada contribuíram para esta obra, fruto somente da graça de Deus (Is 42.8; 48.11).
E Deus hoje não dividirá o louvor pela salvação com seres humanos como nós - apesar do homem sempre querer diminuir a graça para colocar seus "meritos" e da "igreja" estar cheia de super-apóstolos hoje - porque nós também sendo objetos dessa salvação em nada contribuímos para ele a não ser com a nossa desesperada necessidade. Do príncípio ao fim, e em todas as etapas, até estarmos no céu - a salvação vem do Senhor - e o nosso louvor deve mostrar nosso consciência disso. É por isso que a teologia da Reforma foi tão insistente no seu grito - Soli Deo Gloria - Esse princípio precisa nortear as nossas vidas até o fim.
"Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o esplendor ao redor" (Ez 1.28).
J.I.P
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